Borboletas usam hibridização para sobreviver

PARIS - Borboletas brilhantes pretas e vermelhas que vivem nas margens da floresta amazônica desenvolveram técnicas extraordinárias de troca de genes para sobreviver, indica pesquisa. Diferentes espécies de borboletas Heliconius estão fazendo reprodução cruzada para terem cores nas asas, de acordo com a comparação de seu código genético. Esse tipo de troca entre espécies, também chamado de hibridização, é extremamente raro na natureza. Geralmente, o resultado desse processo acaba sendo a morte, porque a prole gerada pela mistura raramente tem uma vantagem competitiva. No entanto, as características cruzadas, vindas de borboletas de espécies tão próximas - a Heliconius timareta e a 'Heliconius elevatus' - são facilmente adaptáveis a ambientes novos e em mutação. O que mostramos é que uma espécie de borboleta pode ganhar um padrão protetor de cor de uma espécie diferente se elas cruzarem entre si - um processo bem mais rápido do que ter que desenvolver um novo padrão do nada, explicou o pesquisador Kanchon Dasmahapatra, da Universidade de Londres. O genoma trouxe outra surpresa. A delicada antena dessas borboletas tem pequenos receptores, e suas minúsculas patas têm papilas gustativas. Em teoria, essas borboletas não seriam capazes de cheirar ou sentir o gosto dos alimentos muito bem, porque muito do seu material genético é voltado para valorizar sua aparência para atrair parceiros e se camuflar. Em vez disso, aprendemos que elas têm um rico repertório de genes olfativos e de sensações químicas, declarou Adriana Briscoe, da Universidade da Califórnia em Irvine, em um press release. O estudo foi publicado na revista científica Nature. Da Agência France Press. Fotos: Nature/Divulgação.

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