As matas que sumiram do mapa

Publicado no Jornal do Commercio, em 2 de janeiro de 2012. Sem delimitação e cerca, as unidades de conservação estaduais instituídas em 1987 estão sumindo do mapa. Amanhã, saiba quais foram implantadas, na reportagem de Verônica Falcão. Pelo menos duas das 31 reservas ecológicas criadas há 25 anos e reclassificadas em 2011 pelo governo do Estado praticamente desapareceram do mapa, uma em Abreu e Lima, ao Norte do Grande Recife, e outra em Jaboatão dos Guararapes, ao Sul. Da primeira, a Mata de São Bento, ainda restam alguns poucos fragmentos de floresta atlântica, cercados por chácaras. Na segunda, a Mata do Engenho Salgadinho, não se vê mais nenhuma árvore, apenas canavial. Foi preciso uma manhã inteira de buscas na zona rural de Jaboatão dos Guararapes, em meio ao tapete verde de cana-de-açúcar que cobre os morros até alcançar o horizonte, para avistar o que restou da casa grande do antigo engenho. A lei que criou em 1987 as reservas delimitou uma área de 257 hectares de florestas no atual Refúgio de Vida Silvestre Mata do Engenho Salgadinho, mas tudo foi derrubado. Foto: Bernardo Soares/JC Imagem, 14.12.2011. Engenho Salgadinho, em Jaboatão. Aqui é o Engenho Salgadinho, sim, mas não tem mais mata, não, diz a dona de casa Betânia Maria da Silva, 28 anos. Ela mora numa das 12 casas, cercadas por canavial, ocupadas por trabalhadores rurais. Não há água encanada, só luz elétrica. Casada com um aplicador de herbicida da usina que, segundo ela, comprou as terras, Betânia nasceu no Engenho Barbalho, vizinho ao Salgadinho, e revela ter conhecido a floresta quando criança. Uns 15 anos atrás ainda tinha. Todo ano a usina derrubava um pedacinho para plantar, até que hoje tá assim, ó, tudo cana. Enquanto em Jaboatão a agricultura tomou conta da mata, em Abreu e Lima a floresta atlântica deu lugar a casas de campo. São dezenas, em volta das ruínas da Igreja de São Bento, do século 17, que dá nome ao lugar. Por trás, do sopé do morro até o Estuário do Rio Timbó, ainda há uma mata de capoeira. Formada por poucas árvores que insistem em repovoar o terreno, é um sinal da capacidade que a mata atlântica tem de se regenerar. É visível a ação de grileiros, que invadem, desmatam e cercam extensas áreas para tomar posse e vender, desmembrando o terreno da Reserva de Floresta Urbana (Furb) Mata de São Bento, com 109,6 hectares. No lugar são realizadas pesquisas arqueológicas pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Temos mais de 20 sítios catalogados, diz a arqueóloga Cláudia Oliveira. A implantação da reserva seria uma garantia de proteção desse tesouro histórico, diz. Na cidade vizinha de Paulista, a mata atlântica dá lugar a um loteamento clandestino na Furb Mata de Jaguarana, de 332,28 hectares. Em outra Furg do mesmo município, a da Mata do Janga, com 132,24 hectares, o lixo chama a atenção. Sacos de ráfia cheios de penas denotam a origem da sujeira: granjas de abate de galinhas de Tururu, bairro vizinho à Furb. Leia aqui entrevista com Vil...

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