USP terá unidade de estudos sobre mata atlântica

SÃO PAULO, SP - A Universidade de São Paulo (USP) vai construir uma unidade de estudos no pé da Serra do Mar para atrair estudantes e pesquisadores estrangeiros, de diferentes áreas de atuação, interessados em projetos sobre a Mata Atlântica. Será a primeira base científica nesse modelo em todo o País. A expectativa da universidade é que o centro, com custo estimado em R$ 2,5 milhões, seja concluído até 2013. O tema central do futuro polo da USP será a Mata Atlântica, mas o objetivo da instituição é que ele atraia pesquisadores de vários perfis. O tema é a floresta, mas caberá qualquer enfoque, como geologia, biologia, clima, solo e educação, entre outros, explica o professor Wellington Delitti, coordenador de Gestão Ambiental da universidade. Uma comissão com membros de várias unidades da USP será formada para definir os detalhes do regimento da base. Mas a presença de estrangeiros no prédio que ficará no meio da mata já é uma das prioridades. Cada estrangeiro que vier deverá ter um parceiro brasileiro para seu projeto de pesquisa, afirma Delitti. Além do prédio de pesquisas, a nova unidade receberá um alojamento para abrigar estudantes da universidade ou visitantes de outros Estados e países, refeitório e estacionamento. A base científica será construída sobre passarelas elevadas, de modo a causar o menor impacto ambiental possível. A unidade contará ainda com tecnologia para geração de energia por meio de fontes renováveis, como painéis de teto solar, além de estação de tratamento de água. O reitor da USP, professor João Grandino Rodas, classifica o projeto como fundamental para a universidade. A Superintendência de Gestão Ambiental realizou um dos projetos mais inventivos da USP. A instituição possui 42 unidades de ensino e pesquisa e 6 centros e institutos especializado. Ocioso - O terreno tem cerca de 30 mil metros quadrados e fica no município de São Bernardo do Campo, na Região Metropolitana de São Paulo - próximo à interligação das rodovias Anchieta e Imigrantes. A área, a cerca de 41 quilômetros do centro, foi doada ao Instituto de Biociências da USP em 1953. Localizado bem no início do trecho de Serra da Anchieta, o local totalmente coberto pela mata permaneceu ocioso até hoje e nunca teve um uso definido. O plano inicial é que as obras não consumam recursos do orçamento próprio da universidade. A Superintendência de Gestão Ambiental, responsável pela execução do projeto, procura investidores privados para completar o financiamento. O órgão informou que já há conversas adiantadas com empresas interessadas em uma parceria com a USP. O reitor, entretanto, garantiu que o empreendimento não depende apenas desses esforços e não ficará no papel. Caso a participação da iniciativa privada não seja suficiente para arcar com os custos, a USP o financiará com seu orçamento. A universidade entende que a busca dessa participação privada não deve retardar esse projeto, completa ele. Por Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli (Agência Estado)

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