Quantos seriam demais em um mundo superpopuloso?

PARIS - Já a caminho dos sete bilhões de habitantes, o planeta deve abrigar muitos outros bilhões de pessoas, e segundo especialistas, apenas uma revolução no uso dos recursos naturais pode evitar um cataclisma ambiental. Nos idos de 1798, Thomas Malthus já tinha feito a previsão sombria de que nossa capacidade reprodutiva rapidamente superaria nossa habilidade de produzir comida, provocando fome em massa e o extermínio de espécies. Mas a revolução industrial e seu impacto na agricultura provaram que Malthus e seus seguidores estavam errados, mesmo que os números tenham superado suas expectativas. Apesar das previsões alarmistas, os aumentos históricos da população não foram economicamente catastróficos, observou David Bloom, professor do Departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard. No entanto, hoje parece razoável perguntar se Malthus não estaria simplesmente alguns séculos à frente. No próximo 31 de outubro, a população mundial deverá alcançar oficialmente a marca de sete bilhões de habitantes, o que representará um crescimento de dois bilhões em menos de um quarto de século. Em seis décadas, a taxa global de fertilidade caiu apenas à metade e responde por uma proporção estatística de 2,5 filhos por mulher. No entanto, essa taxa varia enormemente de país para país. E a estabilização da população do planeta em 9, 10 ou 15 bilhões depende do que acontece nos países em desenvolvimento, sobretudo na África, onde ocorre o maior crescimento. Recursos em declínio À medida que nossa espécie se expandiu, foi consumindo as riquezas do planeta, da água doce aos recursos minerais, das florestas ao pescado. No ritmo atual, a humanidade precisará em 2030 de uma segunda Terra para atender seu apetite e absorver seus rejeitos, informou no mês passado a Global Footprint Network (GFN), organização que calcula a chamada pegada ecológica, ou seja, a quantidade de recursos usados por pessoas ou organizações para atender às suas necessidades, segundo padrões de consumo e descarte. Além disso, a prosperidade da nossa civilização, movida a carvão, petróleo e gás emite gases de efeito estufa que alteram o clima e tem o potencial de destruir os ecossistemas que nos alimentam. Da carestia dos alimentos aos efeitos perversos das mudanças climáticas, nossas economias enfrentam hoje a realidade de anos de gastos além das nossas possibilidades, afirmou o presidente da GFN, Mathis Wackernagel. Para o diplomata francês Brice Lalonde, um dos dois coordenadores da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será celebrada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, o crescimento populacional representa um desafio fundamental para a forma como nós usamos os recursos naturais. Em 2030 haverá pelo menos outro bilhão de pessoas no planeta, afirmou Lalonde. A questão é como implementar segurança alimentar e fornecer os serviços essenciais para o bilhão mais pobre, sem usar mais água, terra e energia?, questionou. É por ...

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