Achados novos insetos aquáticos

Publicado no Jornal do Commercio, em 19.10.2011. Uma vida inteira na água e, quando finalmente alçam voo, se reproduzem e morrem. É assim a existência dos efemerópteros, grupo de insetos pela primeira vez estudado em Pernambuco. O levantamento revelou nada menos que 50 espécies, quatro delas desconhecidas da ciência. Durante um ano e meio, equipe da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) coletou larvas e indivíduos adultos desses insetos aquáticos em áreas de mata atlântica do Estado. O trabalho foi feito em 17 municípios. Antes, havia apenas 18 espécies registradas em Alagoas, Bahia, Maranhão e Sergipe. Agora são 50 só em Pernambuco, detalha o biólogo Lucas Ramos Costa Lima, autor da pesquisa. Das quatro espécies novas, duas já estão descritas em revistas científicas. São Traverhyphes frevo e a Tricorythopsis spongicola. Ambas são de gênero - o primeiro termo de um nome científico - conhecido. Já o segundo termo, correspondente à espécie, é uma escolha dos pesquisadores. No caso da Traverhyphes frevo, a referência, claro, é ao ritmo pernambucano. Já Tricorythopsis spongicola remete ao local onde o inseto aquático foi encontrado: uma esponja de água doce. O animal, da espécie Eunopius fragilis, provavelmente serve de abrigo a ele. Diferenças sutis na boca e na genitália dos dois animais levaram a equipe da UFPE a verificar que se tratavam de novas espécies. A identificação foi feita com a ajuda de Frederico Salles, do Laboratório de Sistemática e Ecologia de Insetos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), especialista nesse grupo de animais.O estudo saiu este mês na revista científica Zootaxa. Os efemerópteros sequer têm nome popular. Na área rural, são simplesmente chamados de mosquito. Embora pouco conhecidos, têm importante papel no meio ambiente. Fazem a ciclagem de nutrientes, ou seja, transformam os detritos, e servem de alimento para aves, peixes e outros insetos. Quando não predados ainda em voo, formando nuvens de insetos, são abocanhadas ao cair no solo. Muitas espécies de efemerópteros, informa Lucas Costa Lima, são utilizadas como bioindicadoras da qualidade da água. Devido à sensibilidade a alterações do ambiente aquático, são incluídas em índices bióticos de monitoramento ambiental. Com comprimento que varia de milímetros a poucos centímetros, os efemerópteros são do mesmo grupo das libélulas. Ambos são paleópteros, ou seja, insetos que não conseguem dobrar as asas sobre o corpo, ensina o professor Ulisses dos Santos Pinheiro, do Departamento de Zoologia da UFPE, que orientou a pesquisa. Os que conseguem dobrá-las, mas recentes na escala evolutiva, são denominados neópteros. Na água, vivem agarrados a pedras, raízes de árvores, galhos submersos ou folhas que se depositam no fundo. Essa é a fase larval dos efemerópteros, que pode se estender por meses. A adulta, após emergirem, dura poucas horas ou dias. Mesmo com vida curta, esses insetos ainda trocam de exoesqueleto (carapaça) antes de morrer. A muda, ne...

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