Estado e Bertin se contradizem

Publicado no Jornal do Commercio, em 17.09.2011. Por Angela Fernanda Belfort e Felipe Lima, da Editoria de Economia. Três dias após anúncio do projeto da Usina Termelétrica Suape III ser bombardeado por ambientalistas e engenheiros do setor elétrico, o governo do Estado e o Grupo Bertin (responsável pelo empreendimento) apresentaram seus argumentos de defesa. Porém, as declarações foram contraditórias nos principais pontos. Em entrevista coletiva, três secretários estaduais - João Bosco Almeida, de Recursos Hídricos e Energéticos, Geraldo Júlio, de Desenvolvimento Econômico, e Sérgio Xavier, de Meio Ambiente - defenderam o projeto sob a justificativa de que a emissão de poluentes seria pequena, pois ele só seria acionado em situações de emergência, como um blecaute ou um apagão similar ao que ocorreu em 2001. Quase no mesmo horário da coletiva, Evandro Miessi Mente, diretor-presidente da Star Energy Participações - braço de energias fósseis do Grupo Bertin, em entrevista ao JC por telefone, descreveu um cenário diferente. Ele afirmou que a térmica vai gerar energia durante 25% do ano. Os nossos estudos indicam que essas térmicas vão rodar entre 20% e 25% do tempo. Em 12 meses vou operar três meses. Esse processo de chamada de despacho ocorre em situações críticas do sistema. São períodos muitos esparsos ao longo do ano. Nunca iremos operar um mês seguido. Opera dois, três dias e para. Em uma conta bem grosseira é como se ela (a térmica) trabalhasse cinco dias em um mês, mas nunca cinco dias seguidos, afirmou. Segundo as regras do setor elétrico, a empresa receberá uma remuneração enquanto estiver parada, estipulada no leilão de 2008. Esses valores não foram informados pelo executivo, mas são menores que os pagos quando a térmica estiver funcionando. A usina está sendo construída para não operar, o que a diferencia de qualquer outro empreendimento, pois é uma térmica de energia de reserva, insistiu o secretário de Recursos Hídricos. Disse ainda que as térmicas só entrariam em operação quando o déficit de energia fosse maior que 5% e depois que todos os outros empreendimentos mais limpos, como hidrelétricas e térmicas a gás natural, estivessem gerando o máximo de energia possível. A polêmica sobre o tempo em que a Suape III vai funcionar ocorre porque quanto mais energia ela fabricar, maior será a poluição jogada na atmosfera. O empreendimento vai utilizar a segunda matéria-prima mais suja que existe, o óleo combustível - só perde para o carvão mineral. Para um dia inteiro de operação, o diretor-presidente da Star Energy estimou serem necessárias oito mil toneladas do óleo. Ao ser questionado sobre o impacto poluente do empreendimento, João Bosco Almeida afirmou que não é o combustível dos sonhos de ninguém, mas é um investimento de R$ 2 bilhões. E complementou: O empreendedor (o Grupo Bertin) nos procurou. Vou dizer que não quero porque não gosto? Não é assim, afirmando ainda que o empreendimento vai recolher impostos. No caso, apenas o Impost...

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