Os entraves da Suape III

Publicado no Jornal do Commercio, em 16.09.2011. Por Angela Fernanda Belfort, da Editoria de Economia, com Agência Estado O empreendimento da termelétrica do Grupo Bertin - um aporte de R$ 2 bilhões e potencial de lançar no ar anualmente 8 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) - tem outros entraves, além dos ambientais. Apesar de já ter anunciado o investimento em Suape, resultado da união de cinco projetos, a empresa ainda não formalizou junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o pedido para concentrar a produção das térmicas movidas a óleo em um único empreendimento. Em 2008, a empresa venceu o leilão da Aneel para implantar cinco térmicas em quatro Estados: Alagoas (2), Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará que têm como prazo contratual o ano de 2013. Essas cinco térmicas agora estão dando origem a Suape III, considerada a maior unidade a motor erguida no mundo, cuja capacidade é de gerar 1452 megawatts (MW) de energia. O investimento faz parte da empresa Star Energy, braço energético do Grupo Bertin. Todo empreendimento do setor elétrico precisa da autorização da Aneel. A assessoria de imprensa da agência informou ontem que a Aneel até tem conhecimento do projeto da térmica Suape III, mas não recebeu até agora um pedido de formalização do novo formato. Sobre isso, a assessoria de imprensa do Grupo Bertin argumentou que a autorização da Aneel deve estar saindo nos próximos dias. A empresa diz que, inicialmente, pediu uma autorização ao Operador Nacional do Sistema (ONS) e ao Ministério de Minas e Energia. Ainda segundo o grupo, o ONS deu um parecer favorável a implantação do empreendimento, o que significa que a energia a ser gerada poderá entrar no sistema a partir do Complexo de Suape. Questionado sobre o fato de ter anunciado no Palácio um empreendimento que ainda depende de permissão, o governo - que se pronunciou por meio do secretário de Imprensa, Evaldo Costa -, argumentou que acredita na aprovação. O governo de Pernambuco tem convicção de que pleitos dessa natureza já foram apresentados à Aneel outras vezes e atendidos, disse. POLÊMICA O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, colocou mais polêmica nos investimentos do Grupo Bertin. Ontem, ele informou que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) está avaliando se os projetos termoelétricos do grupo poderão entrar em operação. O CMSE está analisando se os projetos entrarão em operação ou se as térmicas serão cassadas, disse o executivo, que participou de um evento promovido pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo. De acordo com Tolmasquim, a análise envolve as seis térmicas da companhia que deveriam ter entrado em operação em janeiro deste ano. A cassação das concessões não tem relação com o empreendimento anunciado para Pernambuco, que tem como prazo contratual a entrada em operação prevista para janeiro de 2013. A assessoria de imprensa do Gr...

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