Macaco desafia órgãos públicos

Publicado no Jornal do Commercio, em 15.09.2011. Fotos: Bobby Fabisak, em 14.09.2011. Equipes de cinco órgãos federais, estaduais e municipais mobilizadas, três dias de esforços e até ontem um macaco fugidio permanecia empoleirado num oitizeiro do bairro de Santo Amaro, área central do Recife. Os fracassos da tentativa de resgate mostram que a cidade não está preparada para uma situação de emergência aparentemente simples, mas que demanda uma ação coordenada dos órgãos. Temendo tomar choque, os bombeiros não subiram na árvore porque a Celpe não foi acionada para interromper o fornecimento de energia durante a operação. O Ibama até que conseguiu atrair o animal com frutas, ovos e milho mas, porque a CTTU não bloqueou o trânsito, o bicho escapou ao ver um caminhão se aproximar. E a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), órgão da prefeitura responsável pelo cativeiro de onde o macaco fugiu, no Parque 13 de Maio, só lembrou de chamar a equipe da Guarda Municipal especializada em animais ontem à tarde, por sugestão dos repórteres que acompanhavam a ação. Brigada Ambiental? Nunca ouvi falar, disse a veterinária Rosanna Espíndola ao ser indagada se havia acionado a corporação, vinculada à Guarda Municipal, e, assim como a Emlurb, à Prefeitura do Recife. Rosanna, que chegou a oferecer banana com tranquilizante ao macaco, é responsável pelos 45 animais do Parque 13 de Maio, entre macacos, periquitos, araras, papagaios e seriemas, todos mantidos há décadas no local sem a autorização do Ibama, um órgão federal. Entre os 10 macacos-pregos do lugar, todo domingo cercado por carros de som e carrocinhas de comidas e bebidas, o fugitivo é o mais antigo. Trabalho aqui há 17 anos. Quando cheguei, Chico já estava. É tão velho que nem se entende mais com a macaca que vive com ele, diz Romildo Rodrigues de Barros, 54, que todo dia fornece aos primatas abacaxi, banana, melão, melancia, pepino, cenoura, aveia e suplemento alimentar. Romildo estava preparando a refeição de Chico no momento em que um colega limpava o recinto e, por um descuido, deixou o animal escapar pela porta, na última segunda-feira, às 6h30. O bicho rapidamente se deslocou por quase um quilômetro até se arranchar no oitizeiro na frente do número 783 da Rua do Sossego. A partir daí se desencadeou uma sucessão de atropelos entre os órgãos públicos. A copa do oitizeiro pende sobre o telhado de um galpão, para onde, à noite, o macaco se recolhe. A gente só viu que ele tinha dormido quando abrimos as portas, de manhã, conta José Lopes, funcionário do depósito de uma firma de refrigeração que funciona no local. Foi nesse depósito, na Avenida da Saudade, 205, que uma equipe do Zoológico do Recife, vinculado ao governo do Estado, instalou duas armadilhas ontem à noite. A ideia é atraí-lo com os alimentos ao amanhecer, adiantou Denisson da Silva e Souza, veterinário do Parque Dois Irmãos, onde se encontra o zoo.

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