Termelétrica movida a diesel: investimento bom, mas controverso

Publicado no Jornal do Commercio, em 14.09.2011. Por Adriana Guarda, de Economia. Uma semana depois de vender duas térmicas para a MPX Energia, do empresário Eike Batista, o Grupo Bertin anunciou, ontem, durante evento no Palácio das Princesas, investimento de R$ 2 bilhões no que estão chamando de maior termelétrica a motor do mundo e em um terminal de granéis líquidos no Complexo de Suape. A usina vai usar óleo combustível como matriz, contrariando uma tendência de todos países desenvolvidos e do próprio governo federal que não mais estimula esta matriz no Brasil. A previsão é começar a operar em janeiro de 2013 e gerar 500 empregos diretos. Em julho do ano passado, o então secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, antecipou o anúncio dizendo que o Estado ganharia o seu maior projeto na área de energia. Catorze meses depois, o projeto teve protocolo de intenção assinado pelo governador Eduardo Campos e os executivos da Star Energy Participações S.A - braço de energias fósseis do Grupo Bertin. O diretor presidente da Star Energy, Evandro Miessi Mente, diz que o atraso ocorreu por vários motivos. Um deles foi a tentativa de equacionar a questão financeira para tocar os investimentos na área de energia. O repasse das térmicas para a MPX (por R$ 183,4 milhões) é parte da estratégia de venda dos ativos para gerar volume de capital e complementar os investimentos de R$ 6 bilhões que precisamos fazer nas térmicas que precisamos colocar em operação até 2013, revela. Além da venda de ativos, o Grupo Bertin também está buscando parceiros para os investimentos. Em Pernambuco conseguiu captar a Petrobras como acionista para garantir a entrega da térmica Suape II até janeiro do próximo ano, que vai gerar 380 MW e recebeu investimento de R$ 770 milhões. De acordo com Mente, a estatal é minoritária com 20% de participação. Na Bahia, o grupo também busca sócios para concluir a construção de seis térmicas, que deveriam ter entrado em funcionamento desde janeiro deste ano. Por conta dos atrasos já foi multada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para a térmica anunciada ontem, batizada de Suape, não está descartada a possibilidade de sociedade. O grupo também vai buscar financiamento junto a bancos públicos como BNDES e BNB. Precisamos investir algo entre 25% e 30% de capital acionário, reforça Mente, lembrando que estava aguardando apenas a liberação do terreno e assinatura do protocolo de intenção para iniciar a peregrinação pelos bancos e solicitar as licenças ambientais. A termelétrica vai gerar 1.452 MW (megawatts). O volume é suficiente para atender a toda a Região Metropolitana do Recife e é equivalente a metade da geração da Usina Hidrelétrica de Xingó, no Rio São Francisco. As térmicas só são acionadas em caso de baixa nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Em Suape, também está em operação a Termopernambuco, esta a gás natural (bem menos poluente), com capacidade de 500 MW. Além da tér...

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