Obra de barragem ameaça espécie de crustáceo em risco de extinção

Publicado no Jornal do Commercio, em 13.09.2011. Espécie de crustáceo ameaçada de extinção corre o risco de desaparecer de vez do Rio Ipojuca, no Grande Recife, com a construção de barragem destinada ao abastecimento do Complexo Industrial e Portuário de Suape e praias do Litoral Sul, principal destino turístico de Pernambuco. A obra, em fase de licenciamento, terá seus impactos ambientais debatidos na próxima sexta-feira, às 9h, no Hotel Armação, em Porto de Galinhas. O alerta é de pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) especialista em reprodução do pitu, cientificamente chamado Macrobrachium carcinus. É que o animal, na fase de larva, se desenvolve no estuário, retornando para o rio quando adulto. Se o curso da água é interrompido, esse movimento migratório não será mais possível e o pitu desaparecerá do Rio Ipojuca, prevê Petrônio Coelho. O pitu é um dos invertebrados aquáticos apontados no Relatório de Impacto Ambiental (Rima) que será apresentado sexta. De acordo com o documento, o animal vive na área onde será construída a Barragem Engenho Maranhão, cujo lago artificial inundará uma área de 607 hectares. O Rima, entretanto, omite a informação de que o animal corre risco de extinção. Também denominado lagosta-de-são-fidélis, o pitu é um dos 238 animais que figuram na Instrução Normativa n 5, do Ministério do Meio Ambiente, de 21 de maio de 2004, conhecida como Lista Nacional das Espécies de Invertebrados Aquáticos e Peixes Ameaçadas de Extinção. O crustáceo está ameaçado pela poluição dos estuários e, nos rios, pela pesca excessiva, esclarece Petrônio Coelho. O especialista, que mantém em Penedo (AL) projeto de produção de larvas da espécie para repovoamento de bacias hidrográficas do Nordeste, participou ano passado em Brasília de seminário para revisão da lista. Segundo ele, o crustáceo se manterá na próxima edição. O relatório, disponível no site da Agência Estadual de Meio Ambiente não informa que o animal corre risco. Esse crustáceo é um típico camarão de água doce, com ampla distribuição geográfica no Brasil, do Amapá ao Rio Grande do Sul, em rios que desembocam no Oceano Atlântico. Na AID da barragem esses camarões são bastante capturados, servindo de fonte de alimento e de renda para pescadores locais, descreve o relatório. AID, de acordo com o documento, quer dizer Área de Influência Direta do empreendimento e corresponde aos terrenos em volta da barragem e do reservatório. Incluem não só as terras que vão ser transformadas pelas obras e o futuro reservatório, mas também aquelas que vão sofrer interferências diretas, negativas ou positivas, do empreendimento. Para o Ministério Público de Pernambuco, a construtora deve buscar alternativas para mitigar os impactos da obra não apenas sobre o crustáceo, mas também sobre a pesca de subsistência. Deixaremos a promotoria de justiça de Ipojuca a par da questão e nos colocaremos à disposição do promotor, adianta André Silvani, coordenador do Centro de Apoio Oper...

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