Greenpeace encontra resíduos tóxicos em roupas de grife

PEQUIM - Resíduos de produtos químicos perigosos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde foram encontrados em produtos de 14 grandes marcas de roupa, denunciou na terça-feira (23) a organização ambientalista Greenpeace em seu relatório Roupa suja 2. Análises em amostras de roupa de marcas como Adidas, Uniqlo, Calvin Klein, HeM, Abercrombie e Fitch, Lacoste, Converse e Ralph Lauren evidenciaram a utilização de produtos químicos conhecidos como nonilfenóis-etoxilados em sua fabricação, alertou a organização. O ativista do Greenpeace Li Yifang disse que o nonilfenol etoxilado, comumente usado em detergentes industriais e na produção de têxteis naturais e sintéticos, foi detectado em dois terços das amostras analisadas. O nonilfenol etoxilado tem propriedades tóxicas, persistentes, e causa transtornos hormonais, disse Li à imprensa, em Pequim. Ele mimetiza os hormônios femininos, altera o desenvolvimento sexual e afeta os sistemas reprodutivos, assegurou. Aos componentes deste produto químico se deve a estendida feminização de peixes machos em partes da Europa, bem como transtornos hormonais em alguns mamíferos, segundo a WWF, outra organização protetora da biodiversidade. O Greenpeace informou ter comprado 78 peças de roupa destas marcas, a maioria fabricada em China, Vietnã, Malásia e Filipinas e em outros 18 países, e as submeteu a testes científicos. Até mesmo em baixos níveis representam uma ameaça para o meio ambiente e para a saúde humana, disse Li. Não é só um problema para o desenvolvimento dos países onde é fabricada a roupa. É que na lavagem, estas peças desprendem níveis residuais de nonilfenol etoxilado, o que afeta os países onde de fato seu uso é proibido, alertou. O uso destes produtos químicos é restrito na Europa. Por ocasião da divulgação do informe, ativistas do Greenpeace entraram em uma loja da Adidas em Hong Kong para pedir à marca que elimine o uso de produtos químicos perigosos em seus produtos e para que seus clientes potenciais pensem antes de comprar seus produtos. A Adidas também esteve na mira do relatório anterior do Greenpeace, intitulado Roupa suja, divulgado no mês passado, no qual acusou o fabricante de contaminar grandes rios da China com dejetos químicos. Doze ativistas do Greenpeace vestidos com uniforme de árbitros de futebol entraram, em meio a apitaços, em uma das lojas mais movimentadas da Adidas, na cidade do sul da China. Ali, distribuíram panfletos da campanha aos clientes e exibiram cartões amarelos para os funcionários da loja, pedindo à marca que jogue limpo. Oito amostras de água, coletadas nas duas fábricas situadas nos deltas dos rios Yangtzé e Pérola, contêm um coquetel de substâncias químicas perigosas, alertou a ONG no relatório do mês passado. Nike e Puma, outras grandes marcas de roupa esportiva, asseguraram desde então que eliminarão o uso de agentes químicos tóxicos de seus produtos até 2020, mas a Adidas não o fez, segundo a porta-voz do Greenpeace, Vivien Yau. A Adidas Hon...

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