Governo mobiliza Exército para conter desmatamento

BRASÍLIA - Um dia depois de anunciar crescimento de 27% no desmatamento da Amazônia, o governo decidiu, na quinta, 19, mobilizar o Exército na estratégia de combate à devastação, que cresce muito rapidamente, principalmente no Mato Grosso. A decisão foi tomada pelo gabinete de crise, que reuniu hoje, por mais de duas horas, cinco ministros: Izabella Teixeira (Meio Ambiente), José Eduardo Cardozo (Justiça), Nelson Jobim (Defesa), Fernando Bezerra (Integração Nacional) e o general José Elito Carvalho Siqueira (Gabinete de Segurança Institucional). Izabella Teixeira não quis revelar detalhes das novas operações com a presença de militares do Exército, para evitar que os desmatadores se preparem para reagir à ofensiva. ; Sufocar o desmatamento ilegal é ordem da Presidência. Todas as instituições estão voltadas para sufocar o desmatamento na Amazônia. A determinação é ir para acabar com o desmatamento ilegal. Teremos ação do Exército. Todo o governo federal estará com esforço concentrado para combater o crime ambiental ; disse a ministra. Nove municípios serão incluídos na lista dos que mais desmatam a floresta amazônica. A lista suja hoje conta com 22 municípios, que estão proibidos de conceder novas autorizações de desmatamento. Izabella classificou de inaceitável o desmatamento registrado em Mato Grosso, que teve 733 quilômetros quadrados de floresta derrubados. Para lá, já foram deslocados mais de 500 homens de Ibama, Força Nacional de Segurança e Polícia Federal. Ela não quis estabelecer nenhuma relação entre o enorme aumento da devastação e a iminência da reforma do Código Florestal, que está prestes a ser votada na Câmara. Segundo Izabella, a Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso está preparando um relatório sobre possíveis causas do aumento das infrações. No entanto, fiscais que estão em campo disseram que o desmatamento foi feito às pressas por produtores que esperam ver essas novas áreas abertas legalizadas, após a mudança da legislação. ONGs ambientalistas também disseram haver clara ligação entre a perspectiva de impunidade que a votação do Código tem provocado e os dados divulgados na quarta-feira. O relator do projeto na Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), refutou esta interpretação, afirmando que o desmatamento ocorreu porque a fiscalização do Ibama contra o crime ambiental é ineficaz. Ele desafiou Izabella a encontrar a justificativa para explicar o que aconteceu na Amazônia, onde o desmatamento vinha caindo desde 2008: ; Espero que ela (Izabella) arranje uma resposta cabível e que o Ibama se torne uma burocracia mais eficaz para fiscalizar desmatamento ilegal, o que não tem conseguido. O que aconteceu na Amazônia é que há um órgão responsável pela fiscalização que, lamentavelmente, não tem eficácia para coibir o desmatamento ilegal, que ele sabe aonde acontece todo ano. Um órgão que, em vez de fiscalizar o desmatamento ilegal, está mais preocupado em multar pequenos agricultores, que sobrevivem de seu trabalho.A ministra evit...

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