Pérolas aos Porcos

Leslie Tavares * Esta semana foi alardeado o acordo comercial entre Brasil e China, para exportação de nossa carne suína. Os chineses que também têm certa predileção por gafanhotos e cabeças de pato, sofrem com a falta de controle dos seus próprios alimentos. A contaminação do leite em pó por melanina, que ocorreu em 2008, internou 53 mil crianças em hospitais. Porém, quando se trata da importação de alimentos de outros países os rigores e exigências são monumentais, uma verdadeira muralha da China. Por isso o credenciamento de três frigoríficos brasileiros pelas autoridades de lá, é um feito extraordinário. Outro destaque foi que conseguimos vender algo que não seja matéria-prima. Acostumados a apenas exportar grãos e pedras para aquele país, o porco representa um salto, pois é considerado um produto com valor agregado, muito embora esteja distante de ser um ipad. Como se vê, nosso grande agronegócio só tem a comemorar. Bom pra quem exporta alimentos, mas de certa forma indigesto para quem os come. Não é preciso dizer que a demanda mundial de alimentos só cresce. A população de 7 bilhões de seres humanos que vive hoje sobre este pequeno planeta, deverá alcançar 9 bilhões em 2.024. Todo esse crescimento demográfico vem acompanhado do forte crescimento das economias emergentes, onde justamente vive metade da população mundial. A exemplo do que acontece no mundo, o brasileiro vem galgando classes sociais e por isso procura comer mais e melhor. Essa enorme demanda e os estoques mundiais cada vez mais reduzidos têm feito os preços dos alimentos dispararem globalmente e sofrerem de enorme volatilidade. A inflação dos alimentos é um fenômeno mundi al, tanto que a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) publicou no início do ano uma espécie de guia de sobrevivência para orientar os países no enfretamento do problema. O assunto também foi discutido no último Fórum Econômico Mundial em Davos, onde o presidente da Indonésia Susilo Bambang Yudhoyono profetizou: o aumento dos preços dos alimentos eleva a inflação, a pobreza e a fome com graves conseqüências políticas e sociais. Ironicamente, na mesma semana em que conseguimos vender os porcos para o outro lado do mundo, o Banco Central assustado com o crescimento de nossa inflação, chamou o Ministério da Agricultura para discutir com mais profundidade o problema da oferta de alimentos aqui. Até quem acredita que manga com leite é veneno, sabe que o grande agronegócio não vai resolver em nada o problema da inflação de alimentos no Brasil. Nossa agricultura em escala está de olho mesmo é nos recordes mundiais de preços das commodities agrícolas. Ela não faz filantropia, atende objetivamente ao consumidor que pagar mais, e hoje ele está lá fora. Para saciar o mercado mundial, vale tudo, até alterar o Código Florestal para expandir as monoculturas e fazendas de gado sobre as florestas. O mercado interno não é, e nunca foi a prioridade deste setor. Que...

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