Debate sobre mangue exige ponderações

Adriana Guarda ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) e Leonardo Spinelli ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) A questão primordial para a polêmica em torno da supressão do mangue de Suape é que o Projeto de Lei 1.496/2010, em tramitação na Assembléia Legislativa, autoriza a retirada de uma área de vegetação nativa. São 1.076,49 hectares - equivalente a 1.000 campos de futebol - de mangue, mata atlântica e restinga que darão lugar ao cluster da indústria naval, projeto que vai gerar emprego e renda para Pernambuco. O professor da UPE Clemente Coelho Junior, especialista em mangue, alerta, no entanto, que os danos ambientais da retirada do mangue podem prejudicar muito mais do que simples caranguejos. Uma das funções do mangue é absorver a energia das marés, funciona como uma esponja que suga a água na maré alta, diminuindo o efeito erosivo do oceano. Sem ele, para onde vai essa energia? Possivelmente para Boa Viagem e balneários de Ipojuca. Haverá aceleração no processo de erosão costeira e quanto será gasto para conter o mar? Por outro lado, os projetos dos cinco estaleiros que serão implantados na área somam investimentos de R$ 2 bilhões, vão ocupar uma área de 283,5 hectares no novo cluster e promover a geração de pelo menos 10.900 empregos diretos, além de mais arrecadação para o Estado. Por conta de um embate deste porte, entidades como Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se posicionam de maneira cautelosa. Ainda é cedo para tirar uma conclusão sobre a supressão do mangue, mas qualquer pretensão de se retirar uma quantidade de vegetação já tão castigada traz uma preocupação maior. Estamos acompanhando com muita cautela o assunto, relata o promotor de Justiça do MPPE André Silvani. Sem dúvida há o dilema do desenvolvimento versus o meio-ambiente. Temos de tentar equacionar na sustentabilidade, mas há, por nossa parte, a tendência de não aceitar este estudo de impacto ambiental. A questão, no entanto, terá de ser decidida pelo Ibama e, por enquanto, não cabe ação por parte do MPPE. O presidente da OAB, Henrique Mariano, também prefere a precaução ao abordar o assunto. Na segunda-feira (amanhã) vamos nos reunir com o MPPE para avaliar detalhes do projeto de lei do governo do Estado. Neste caso há o interesse público econômico para todo o Estado, como também é de interesse público o tamanho do impacto ambiental. São duas questões extremamente importantes, por isso é necessário discutir alternativas, como desapropriações e menor supressão. O desenvolvimento econômico do estado tem de estar sintonizado com meio ambiente, disse Mariano. O professor Clemente Coelho Júnior salienta, também, que o próprio mangue é gerador de riquezas e que este custo nunca é calculado. As florestas em pé valem muito mais do que destruídas, segundo análise da ONU dentro da Avaliação Ecossistêmica do Milênio (basta digitar no Google). Sempre se coloca como carro chefe as atividades econômicas, mas se esquece do sistema que possui valor econômico. O argumento do empr...

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