Ruralistas e ambientalistas se estranham em audiência pública

BRASÍLIA - Na audiência pública que ocorreu na quarta, 23, na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, mais uma vez ruralistas e ambientalistas se estranharam ao discutir as mudanças polêmicas ao código florestal. Em alguns momentos do longo debate, o clima ficou pesado. Até mesmo o ex-ministro da Agricultura Reinhold Stephanes (PMDB-PR) não conseguiu conter a irritação com ONGs que foram convidadas para dar sugestões ao texto do deputado Aldo Rebelo (PC do B- SP). Depois de recomendar a inclusão de incentivos econômicos para que o agricultor possa se regularizar, Raul Valle, do Instituto Sócio Ambiental (ISA), mostrou imagens do rio Cuiabá, que corta Petrópolis e Teresópolis, antes e depois da tragédia que atingiu a região no início do ano. Ele argumentava que o problema aconteceu porque foram desmatados mais do que os 30 metros que a lei obriga a proteger (o relatório Aldo quer diminuir a área para 15 metros). O deputado Reinhold Stephanes, presente na audiência, levantou-se de sua cadeira, chegou perto do painel erguido pelo ongueiro e disse: - Isso aqui não é área rural, é área urbana. O código trata de área urbana - reclamou. - Não é, não. É área rural, ministro. Não é só porque tem casa que é área urbana - rebateu Valle. Em outro momento, Joel Câmara, da Frente Nacionalista em Defesa da Amazônia, tentou apresentar aos berros, no microfone, a sua posição de que organizações estrangeiras têm interesse em internacionalizar a Amazônia. Ele queria mostrar documentos, mas foi interrompido pelo deputado Cláudio Cajado (DEM-BA), que também aos berros disse que aquela era uma reunião ordinária e que só deputados poderiam falar. Insistindo em se manifestar, Câmara teve seu microfone cortado pelo presidente da comissão. - Não é uma audiência pública? - Perguntava o ambientalista. - Tem muita coisa errada. Vocês estão cheios de alienações. Eu estou cheio de evidência científica. Isso é uma coisa antidemocrática - gritou. - Estamos numa sessão plenária. Aqui ninguém proíbe ninguém de se pronunciar, mas o senhor está ultrapassando o limite do respeito desse Parlamento. Nós estamos numa reunião ordinária da comissão. Só quem tem o direito à palavra são os deputados federais. E mais ninguém - encerrou Cajado. O racha entre parlamentares ligados à área ambientalista e os do agronegócio se manifestou claramente durante a sessão, ainda que os dois lados repetissem que o debate não pode dividir esses setores, já que a briga afasta ainda mais a possibilidade de um consenso. No entanto, enquanto os ruralistas argumentavam que a reforma do código já foi amplamente discutida e que é preciso votar imediatamente a matéria, ambientalistas pediam mais tempo para amadurecer um consenso. A pressa dos representantes da agropecuária se explica porque o governo suspendeu até 11 de junho a punição a produtores que não estão cumprindo o código. Ao longo do debate, uma queixa recorrente dos deputados ambientalistas foi com relação à falta de participação do relator do texto ...

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