Ilhéu não quer mais casa de gesso

Publicado em 12.03.2011, no Jornal do Commercio. Texto de Adriana Guarda ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) A demora na construção da agrovila Nova Tatuoca, no Cabo de Santo Agostinho, poderá trazer um novo problema para a diretoria do Complexo de Suape. Os ilhéus, que num primeiro momento concordaram em deixar a Ilha de Tatuoca para morar no condomínio de 51 casas de gesso, desacreditam no projeto e preferem receber uma indenização para comprar uma nova moradia fora da agrovila. A Nova Tatuoca está em projeto desde 2007 e é uma alternativa para realocar as famílias da Ilha de Tatuoca, local escolhido pelo governo de Pernambuco para abrigar um polo naval. Tenho 62 anos de idade e sou nascida e criada na ilha. Meus pais já moravam aqui. Há mais de um ano não falam mais sobre a construção das casas da Nova Tatuoca. Aqui eu tenho o meu sítio, distante dos vizinhos. Não quero sair pra morar numa casa de gesso impinhada (apinhada) de vizinhos. Não gosto de zoada. Quero receber uma indenização digna para comprar um outro sítio em algum lugar, diz dona Hilda Francisca da Silva, uma das moradoras mais antigas de Tatuoca. Ela conta que a diretoria de Suape ofereceu R$ 31 mil pela casa e o sítio. A dona de casa Alessandra Antônia da Silva, de 30 anos, diz que, desde criança, ouve o boato de que os moradores teriam que deixar a ilha. Suape nem constrói as casas, nem dá outra solução pra gente. Nossas casas de taipa estão caindo e somos proibidos de fazer qualquer reforma. Alguns armazéns de construção de Ipojuca receberam ordem de Suape para não vender material a gente, reclama, dizendo que não gosta da ideia das casas de gesso. Alguns moradores de Tatuoca foram enganados. Receberam uma mixaria de indenização e agora estão morando na favela, conta. Nativo da ilha, Cleberson Uilson da Silva, de 27 anos, diz que os peixes escassearam depois da implantação do Estaleiro Atlântico Sul na Ilha. Agora vai vir um segundo estaleiro (o Promar) e a nossa situação vai ficar ainda pior. Sabemos que vamos ter que sair, mas não queremos ir pra essas casas de gesso onde não tem espaço pra plantar, nem tem a pesca, observa. Ele diz que conseguiu emprego na obra do cais 5 em Suape, mas que a construção acabou e agora está desempregado. O presidente do Complexo de Suape, Geraldo Júlio, diz que a obra da agrovila Nova Tatuoca será retomada. Esbarramos numa questão técnica porque, junto com o licenciamento ambiental, a CPRH exigiu que a Compesa a Celpe e a Prefeitura do Cabo apresentassem os projetos de prestação de serviços para a área, explica Júlio. A CPRH foi procurada para informar sobre o processo de licenciamento e as exigências, mas não deu retorno à reportagem do JC. Além do entrave da CPRH, a diretoria de Suape também discute na justiça o valor do terreno onde será construída a vila. O proprietário pede R$ 1,6 milhão, mas Suape depositou R$ 300 mil em juízo.

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