Governo não vai rever programa nuclear, diz ministro

RIO e BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse na segunda (14) que não há qualquer motivo para o governo rever seu programa nuclear. Segundo ele, as falhas registradas em usinas no Japão não têm chance de ocorrer no Brasil. Isso porque as usinas de Angra dos Reis foram feitas com a melhor tecnologia existente, inclusive com estudos sobre o comportamento das marés na região por um período de mil anos e a construção de anteparos. Políticos, cientistas e ambientalistas pediram, no entanto, a ampliação do debate. ; Não temos nenhuma necessidade de revisão em nada a não ser aprender com o que ocorreu no Japão ; afirmou Lobão. ; As dificuldades que as usinas de lá tiveram as nossas não terão. As nossas têm uma proteção maior. Nós não temos razão nenhuma para preocupação maior. Vamos prosseguir com o nosso programa. O governo planeja construir, no mínimo, mais quatro usinas nucleares até 2030, num total de 4 mil megawatts (MW), além de Angra 3 cujas obras estão em andamento, depois de terem ficado paradas por 24 anos. O país tem em operação as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 com um total de 2 mil MW de potência. ; Não acho que esse problema no Japão venha a interromper o programa nuclear no Brasil. O país não tem outra saída para atendimento da demanda futura por energia, do que as nucleares ; destacou o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão regulador e fiscalizador do setor nuclear, Odair Dias Gonçalves. A Eletronuclear, responsável pela construção e operação de centrais nucleares, está concluindo o estudo sobre possíveis locais onde poderão ser construídas as quatro novas usinas, duas no Nordeste e duas no Sudeste. O assistente da presidência da Eletronuclear Leonan dos Santos Guimarães destacou também que o acidente no Japão não muda em nada os planos traçados pelo governo: ; Não vejo sentido em rever o programa. O país continua precisando de energia complementar à hidrelétrica. Especialistas e governo ressaltam, no entanto, que haverá uma reavaliação das normas de segurança nas centrais nucleares em todo o mundo. O presidente da Cnen garantiu que o local onde ficam os geradores a diesel, fundamentais para refrigerar o reator em caso de faltar energia no sistema, está em prédios bem protegidos. Essas instalações estão distantes das encostas em Angra dos Reis, em caso de alguma forte tempestade afetar a região. Além disso, os tanques de óleo diesel estão no subsolo, como proteção contra vendavais. ; As nossas usinas do tipo PWR têm mais sistemas de segurança que protegem o reator onde está o combustível do que as do tipo BWR (do Japão) ; disse Gonçalves. Mas ambientalistas, políticos e especialistas acreditam que a segurança no país pode melhorar. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que os acontecimentos ocorridos no Japão deveriam servir de motivação para que o governo faça uma análise do atual sistema de segurança da energia nuclear. O professor José Goldberg, da Universi...

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