O Código Florestal Da Vinci

Leslie Tavares * A obra de Dan Brown foi um dos maiores fenômenos literários dos últimos tempos. Ela baseia-se em uma trama misteriosa recheada de surpreendente lógica e que abusa da verossimilhança para ser convincente. Sua obra, conforme ele mesmo admite, não passa de ficção e foi escrita apenas para nosso entretenimento. É óbvio que não é possível traçar a árvore genealógica de Cristo, que a Opus Dei não anda matando pessoas e os arquitetos das catedrais góticas não se inspiravam em úteros femininos. Mas este é o segredo da obra. Seu raciocínio fantasioso, sem utilizar qualquer referência bibliográfica ou nota de rodapé, provocou um debate mundial, que só fez engordar os bolsos do autor. Parece que os relatores do Código Florestal se inspiraram mesmo em Dan Brown. É incrível anotar as estratégias de argumentação. Sem qualquer base científica, utilizando sombrios cenários mundiais de fome e verossimilhanças com países do outro lado do mundo, os interessados no Projeto de Lei, que altera nosso Código Florestal, vêm conseguindo derrubar a crença na importância de nossas florestas e nas conquistas e avanços legais para a proteção ambiental deste país. Através da pura ficção, a floresta vem sendo apresentada como entrave econômico, como vilã da inflação e futuramente da fome mundial. A premissa é de que a produção de alimentos e principalmente os lucros no campo dependem exclusivamente do aumento da área cultivada. Por ser o Brasil o detentor das últimas áreas agricultáveis do planeta, deveria disponibilizá-las para atender a crescente demanda mundial, em um ato de altruísmo internacional. Essa premissa atraente, mas irreal, não seria mais útil depois que a última área agrícola fosse aberta. Comeríamos então o que? Lembro que na primeira década do século 21 (É isso mesmo, já entramos na segunda década!) optamos pelo risco de comer organismos geneticamente modificados, os famosos transgênicos, justamente para resolver este tipo de problema. Li em algum lugar, há 10 anos, que os transgênicos eram a salvação das florestas. O que há de verdadeiro é que estamos diante de um acirramento cada vez maior na disputa pelos mercados consumidores de commodities agrícolas. A prosperidade da econômica mundial deve ainda perdurar muito tempo, o que continuará transformando os países emergentes, bem como os mais pobres. Isso colocará, na próxima década, bilhões de seres humanos entre as prateleiras dos supermercados. Mas aí é que aparece o segredo do Código Florestal da Vinci. Um dos maiores temores dos latifundiários brasileiros, com a suspensão do desmatamento por aqui, é a perda de espaço para a carne, soja e outros produtos agrícolas americanos. Cada um dos estados produtores de grãos como o Iowa, Illinois, ou Indiana poderia lucrar entre 3 a 7 bilhões de dólares até 2030. Qual seria então a mágica americana em aumentar os lucros agrícolas onde não há mais terras a serem exploradas? A resposta não é difícil, mas necessita de investimentos, muito cérebro e ...

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