Peixe-elétrico amazônico invade açudes do Estado

Publicado em 18.02.2011, no Jornal do Commercio. Fotos: Helia Scheppa/JC Imagem, 16.02.2011. O poraquê, peixe-elétrico nativo da Amazônia, está colonizando açudes e rios do Estado, podendo se tornar uma espécie invasora. O alerta é de equipe da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que pesquisa o animal, com registros para Dois Irmãos (Zona Norte do Recife) e Cidade Universitária (Zona Oeste). Um dos animais coletados está no Departamento de Fisiologia e Farmacologia. Mede 65 centímetros e se alimenta de peixes menores. O bicho foi capturado ano passado num açude do Parque Dois Irmãos, onde funciona o zoológico do Recife. O professor Valdir Luna lembra que a descarga elétrica do poraquê atinge 600 volts (a tensão de uma tomada elétrica residencial varia de 110 a 220 volts). Embora utilize a eletricidade para encontrar e imobilizar suas presas, ele pode, sim, provocar acidentes com seres humanos, adverte Luna. Há registros, segundo o pesquisador, de uma morte ocorrida no zoológico. Dois anos atrás, pescadores que confundiram o peixe-elétrico com um muçum em Paulista, Norte do Grande Recife, levaram um choque e foram socorridos por uma ambulância do Samu. Em 23 de setembro de 2009, seguranças encontraram um exemplar morto no trecho do Riacho do Cavouco que corta o câmpus da UFPE. A professora do Departamento de Oceanografia Elisabeth Araújo enterrou o peixe para estudar o esqueleto. Na quarta (16), retirou e limpou os ossos. A pesquisadora pretende estimar a idade do animal a partir do estudo da ossada, que será montada para exposição. Com a análise genética poderemos confirmar se trata-se da espécie que ocorre na Amazônia, diz Elisabeth. Segundo a professora, o peixe tem 90% de seu corpo composto por músculos. Alcança 2,5 metros e 30 quilos. A nadadeira dorsal se estende ao longo do corpo, que serpenteia para se locomover na água. Em tupi, poraquê significa o que faz dormir ou o que entorpece. É lento, nada pouco e passa mais tempo repousando no fundo. A cada intervalo de aproximadamente trinta minutos, entretanto, o poraquê precisa subir à tona para respirar. Ele absorve o oxigênio da água pela boca, mas expele o gás carbônico pela pele, ensina Valdir Luna. O biólogo Tarciso Leão, integrante de equipe que em 2009 elaborou a lista de espécies invasoras de Pernambuco, informa que o poraquê - Electrophorus electricus para os cientistas - não faz parte da relação. Também não consta no levantamento do Instituto Hórus, entidade com sede em Florianópolis (SC) especializada no assunto. Embora seja nativa na região Norte do Brasil, em Pernambuco é uma espécie exótica, destaca. Dos 48 tipos de animais potencialmente invasores no Estado constantes na lista de 2009, revela Tarciso, oito são peixes de água doce. Entre as principais estão a tilápia e o tucunaré, afirma. Para saber se um animal é invasor, ensina o biólogo, é preciso fazer estudo populacional. A espécie precisa estar se reproduzindo e formar uma população viável no Estado, ou...

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