Palestras para despertar a consciência ambiental

Publicado no Jornal do Commercio, em 14.02.2011. Foto: Alexandre Gondim, JC Imagem, 11.02.2011. Depois de consultar a bibliografia científica sobre meio ambiente e poluição em Pernambuco, o geólogo britânico Haydon Mort percebeu que a maioria dos artigos estava publicada em revistas especializadas europeias ou americanas. Compilou dados de mais de 50 trabalhos e hoje faz palestras para divulgá-los. Ele soma, desde julho, sete apresentações em escolas, organizações não-governamentais e até empresas. A próxima será no dia 23, às 19h30, Associação Comunitária dos Moradores de Pirituba, em Vitória de Santo Antão, a 50 quilômetros do Recife. Haydon não se limita a traduzir as informações para o português. Ele faz uso de uma linguagem simples e transforma os resultados das pesquisas em gráficos e tabelas. Um estudo de sete páginas sobre poluição no Rio Ipojuca publicado na revista científica inglesa Water, Air and Soil Pollution, por exemplo, é resumido em um slide. Um gráfico mostra que a qualidade da água, antes de o rio alcançar uma usina de açúcar, é próxima ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Depois de receber o efluente da indústria, o valor é dez vezes pior. A pesquisa, que tem como primeiro autor um alemão e conta com a participação de uma professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), talvez nunca chegasse ao conhecimento público. No máximo, poderia ser apresentada num congresso. Agora, pelo menos dezenas de pessoas que assistiram às minhas palestras compartilham do dado, comemora. O objetivo do geólogo, professor visitante da UFPE, é conscientizar as pessoas. Acho que essas informações podem levá-las a refletir sobre o modelo de desenvolvimento adotado em Pernambuco. A população quer mesmo crescimento sem levar em conta o meio ambiente?, indaga. Além da poluição, ele aborda destruição dos mangues e dos recifes, redução do nível dos aquíferos e questões éticas. E debate sobre o valor econômico da conservação dos recursos naturais. A ideia de fazer esse tipo de palestra surgiu em 2009, quando Haydon chegou ao Brasil para pesquisar sobre geoquímica no NE. As pessoas me perguntavam se eu já tinha visto praias mais bonitas que essas. Comecei a colaborar com projetos do Departamento de Oceanografia e vi que por trás da beleza de Boa Viagem, por exemplo, havia altos índices de coliformes fecais, relata. O trabalho acadêmico dele está em curso, com levantamentos sobre o paleoclima da região entre 200 e 220 milhões de anos, quando a África e América do Sul, antes fundidos no supercontinente Pangeia, se separaram. O mundo estava num período da era Cretácea marcado por vulcanismo. Desde agosto, o geoquímico analisa 12 parâmetros de 120 amostras de um poço de prospecção de petróleo com 3 mil metros perfurado no Litoral Sul de Pernambuco. O trabalho é feito pela equipe do Laboratório de Sedimentologia do Departamento de Geologia, ao qual o pesquisador é vinculado. O estudo ainda está no início, mas Haydon já percebeu que 2...

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