Bancos nos EUA continuam a financiar carvão mesmo com riscos

Por Fatima C. Cardoso* SÃO PAULO (SP) - Há pouco mais de dois anos, os principais bancos americanos se comprometeram a rever suas políticas de financiamento para projetos de produção de energia suja, em especial as usinas movidas a carvão, a mais poluente de todas as fontes fósseis. Chamado de Carbon Principles, o compromisso apontava a necessidade de os bancos mudaram o seu portfólio, considerando os riscos cada vez maiores desse tipo de investimento. O texto de apresentação do acordo ressalta a necessidade de reavaliar os investimentos nessa área em função da crescente incerteza quanto a uma possível legislação americana para conter as emissões do país e outras ações relativas às mudanças climáticas e seus potenciais reflexos no custo do carbono. Mas de acordo com um relatório da Rainforest Action Network (RAN), o impacto do lançamento desses Princípios foi praticamente zero para as políticas de investimento desses bancos. ê verdade que os EUA não conseguiram avançar no debate para o estabelecimento de limites às suas emissões de gases de efeito estufa, mas os bancos também parecem não ter agido como o prometido. A partir de alguns estudos de caso, em bancos como o Citi, JPMorgan Chase e Morgan Stanley, a RAN mostra que esses bancos não diminuíram seus investimentos nesses projetos e ainda não estimularam os investimentos em projetos de energia limpas. O relatório da RAN coloca em cheque esse tipo de compromisso auto-declaratório, sem nenhum poder de coerção sobre as ações do dia-a-dia dos bancos. Nos EUA, as usinas termelétricas a carvão são responsáveis por quase a metade de toda a eletricidade usada no país. Ao mesmo tempo é a principal fonte de poluição do ar nos EUA e responsável por um terço das emissões americanas de GEEs. Leia aqui na íntegra do relatório. PARA SABER MAIS Como mudar os comportamentos? - Como no caso do compromisso acima, há um aumento de consciência do público em geral sobre as mudanças climáticas, mas as mudanças de comportamento em relação ao consumo exagerado e ao uso de energia não acontecem. O que impede as necessárias transformações sociais que podem levar a significativas reduções nas emissões de carbono? Um livro Engaging the Public with Climate Change tenta achar essa resposta. A publicação - somente em inglês por enquanto - reúne estudos de caso e trabalhos acadêmicos que analisam métodos e experiências que buscam engajar comunidades e grupos sociais em estilos de vida mais sustentáveis. Escrito por profissionais e pesquisadores acadêmicos, os capítulos combinam perspectivas teóricas e guias práticos sobre o que funciona e o que não funciona para estimular mudanças de comportamento. * Fatima C. Cardoso é jornalista, com Pós-Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.

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