Número de preguiças feridas é alto, revela pesquisa

Publicado no Jornal do Commercio, em 30.01.2010. Acima vídeo de preguiça com filhote tentando atravessar a PE-27 (Estrada de Aldeia) Em dois anos, o Ibama em Pernambuco recebeu 157 preguiças, a maioria resgatada pelo Corpo de Bombeiros, a polícia florestal do Estado ou a brigada ambiental do Recife. Um levantamento feito pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) mostra que 41 delas, o correspondente a 26%, chegaram feridas à sede do instituto, em Casa Forte, Zona Norte do Recife. Os pesquisadores consideram o percentual alto. Os municípios, dos 20 registrados pelo levantamento, que mais originaram preguiças com lesões são Camaragibe, Igarassu e Recife. Nesses locais, possivelmente, os animais apresentam maior necessidade de deslocamentos para buscar novas áreas de uso e alimentação, diz a bióloga Tacyana Duarte Amora, uma das responsáveis pelo estudo. O orientador do trabalho, o professor da UFRPE Gileno Xavier, explica que, depois do desmame, por volta dos seis meses, a mãe costuma procurar uma nova área para viver, deixando a antiga de herança alimentar e territorial para o filhote. No lugar de leite, ele precisará de folhas. Por isso é comum ver animais atravessando estradas, por exemplo, esclarece. As preguiças, explica ele, podem ainda se deslocar em busca de alimento ou para reproduzir. Durante o estudo, Tacyana verificou que num trecho da rodovia PE-27, conhecida como Estrada de Aldeia, as árvores se encontram no alto, facilitando a passagem das preguiças pela copa. Uma fêmea com filhote foi, inclusive, observada fazendo o trajeto. A bióloga recomenda que a via seja sinalizada nesse trecho, a partir do km 14, para evitar acidentes. Tanto é possível uma preguiça cair e ser atropelada, quanto provocar um acidente, uma vez que pode atingir o para-brisa do carro, por exemplo, cita. Outra recomendação do trabalho é a instalação de lombadas, nesse trecho da rodovia, e de placas indicativas da travessia de animais. Além disso, é preciso reduzir a velocidade permitida para a via. A máxima é 60 km/h, mas acho que a ideal seria 40 km/h. O pior é que nem o que é determinado hoje os motoristas cumprem. Infelizmente, muitos andam em alta velocidade, lamenta. O levantamento identificou ainda que muitas das lesões são provocadas por choques. A solução proposta pela pesquisadora é que, nos trechos onde foram registrados os acidentes, haja poda das árvores próximas da fiação. Em Mato Grosso do Sul e Porto Alegre, as companhias elétricas adotaram medidas como o isolamento dos fios por causa do registro da morte de primatas eletrocutados, relata. Apenas em duas semanas do mês de novembro de 2009 o Ibama recebeu cinco animais acidentados ao usar os fios para passar de uma para outra mata, nas imediações do km 14 da Estrada de Aldeia. Sem condições de ser devolvidas à natureza, três seguiram para a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), unidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Ilhéus, na Bahia. ...

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