Madeireiros usam assentados para derrubar floresta no Pará

BELÉM, PA - Os madeireiros de Anapu, no centro-oeste do Pará, decidiram jogar pesado para isolar o projeto de exploração sustentada da floresta implantado na região pela missionária Dorothy Stang, morta a tiros em 2005. Além de infiltrar 30 famílias no PDS Esperança - um dos raros assentamentos da Amazônia que deram certo -, eles pagam R$ 70 aos trabalhadores por cada metro cúbico de espécies de madeira como virola e jatobá retiradas do PDS. No mercado, a venda dessas duas espécies alcança R$ 650. O negócio cresceu tanto que até o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu, Luís Sena, virou um combativo defensor da derrubada da floresta ao lado do prefeito do município Francisco de Assis Souza, o Chiquinho do PT. Souza era tido na região como afilhado de Stang, mas caiu em desgraça após a morte da missionária. Acusado de traição, ele mantém como seu vice Laudelino Délio Fernandes, um dos mais poderosos madeireiros da Transamazônica. O prefeito se diz um defensor dos trabalhadores e do progresso do município. Contrários à exploração madeireira, a maioria dos assentados no PDS pediu ajuda ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sugerindo a construção de guaritas de vigilância na estrada de acesso ao projeto para impedir a entrada dos caminhões das madeireiras. A estrada está fechada há uma semana. Em represália, os madeireiros e seus novos aliados fecharam a principal estrada da região, a rodovia Transamazônica, no trecho entre os municípios de Anapu e Pacajá. A estrada foi liberada ontem depois de longa negociação dos representantes dos madeireiros com homens da Polícia Rodoviária Federal e agentes da Polícia Federal. As polícias civil e militar também se encontram na área para evitar um confronto entre os grupos. Os madeireiros exigem a expulsão do padre Amaro Lopes e das missionárias Jane Dwyer e Katia Webster do PDS Esperança, alegando que os três incitam os assentados e prejudicam o desenvolvimento do município. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), a quem os religiosos são ligados, critica a postura dos madeireiros, acusando-os de devastar a região, ameaçar trabalhadores e promover a violência. O ouvidor agrário nacional, o desembargador aposentado Gersino Silva Filho, estará em Anapu no próximo dia 25, terça-feira, para ouvir as reivindicações dos assentados.Homens da Força Nacional de Segurança, enviados para Anapu a pedido do Ministério do Desenvolvimento Agrário, devem ficar na região pelos próximos vinte dias. Por Carlos Mendes (Agência Estado)

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