A questão ambiental tratada como moeda de troca

Heitor Scalambrini Costa (*) O anúncio do desmembramento da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), dando origem à Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade pode parecer, à primeira vista, que finalmente se valoriza a temática ambiental no nível do Governo Estadual. Que realmente o governador reconhece a importância, e propõe conforme divulgado pelos seus porta-vozes, incorporar a política ambiental na estratégia de desenvolvimento de Pernambuco. Por outro lado, é amplamente divulgado que o titular desta recém-criada secretaria será o candidato do Partido Verde (PV) a governador nas eleições de 2010, Sergio Xavier. Que ao longo do processo eleitoral fez veementes pronunciamentos e escreveu textos contrários aos rumos do crescimento predatório que está ocorrendo em Pernambuco, que não leva em conta a questão ambiental, como eixo do desenvolvimento sustentável. A expectativa de seus eleitores e da população era de que o PV iria manter independência em relação ao governo Eduardo Campos, em função de já ter definido uma pauta ambiental antagônica aos princípios do desenvolvimento sustentável, optando pelo megadesmatamento de manguezais e florestas naturais, e por uma matriz energética composta por termoelétricas a combustíveis fósseis (óleo diesel e gás natural) e usina termonuclear. O que certamente contribuirá para o aumento das emissões de gases de efeito estufa, e para as mudanças climáticas, não só a nível estadual, mas de toda região. Lamentavelmente a criação de uma Secretaria Estadual, que poderia, sem dúvida, elevar o governo estadual a outro patamar, tratando transversalmente políticas/ações ambientais e de sustentabilidade com outras áreas do governo; acaba se resumindo numa operação de ampliação das forças políticas que compõem a base de sustentação do governo estadual, através da distribuição de cargos, sem nenhum viés programático. Lembrando que, além do nome do secretário, ao partido também caberá a indicação do presidente da Agência Estadual de Meio Ambiente, Recursos Hídricos (CPRH), entre outros importantes cargos da máquina estatal. A Secretaria oferecida assim ao PV, como moeda de troca, nasce fraca, debilitada, sem apoio dos eleitores, e simplesmente aos olhos da população, como sendo um toma lá, dá cá de propósitos e idéias defendidas no período eleitoral, por cargos e espaços para acomodar os dirigentes deste partido que teve em Pernambuco mais de 900 mil votos para a candidata presidencial Marina Silva, e pouco mais de 86.000 votos para seu candidato a governador. Assim com a adesão a Frente Popular de Pernambuco, o PV respalda um governo que já optou por um determinado modelo de crescimento contrário ao que pregam homens e mulheres verdadeiramente preocupados com a questão ambiental e climática em nosso Estado. * Heitor Scalambrini Costa é professor associado da UFPE, ex-presidente da Associação de Docentes (ADUFEPE) e membro da ONG Naper-Centro de Estudos e Projetos.

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