Barracos ameaçam o mangue de Maracaípe

Publicado em 05.12.2010, no Jornal do Commercio. O manguezal que margeia a nova via de acesso a Maracaípe, no Litoral Sul, está sendo ocupado por famílias de sem-teto. Há 28 casas de alvenaria e seis barracos na beira da estrada de 2.649 metros, recém-construída. Esse tipo de vegetação, lembram os ambientalistas, é considerada Área de Preservação Perenemente (APP), não podendo ser destruída. As ocupações se intensificaram há quatro meses, quando um grupo de mendigos que vivia no Recife, mudou-se para o lugar. Sou moradora de rua. Minha filha de 16 anos arrumou um homem que veio morar numa favela aqui perto e vim pra cá com a menor, de 6 anos, pra ficarmos junto dela. Antes, a gente dormia nas calçadas do Cais de Santa Rita, conta Maria José de Abdias, 46 anos. Maria José levantou um barraco com madeira plástica na margem esquerda da via, no sentido Porto de Galinhas-Maracaípe, onde há outras cinco casas desse tipo e 25 de alvenaria. No manguezal da margem oposta, são três habitações de cimento e tijolo. Outra sem-teto que montou barraco no local, Lúcia Ferreira da Silva, 53, vivia em Afogados. Às vezes durmo na casa de uma prima, mas a família dela já é grande e não me cabe na casa, justifica. As moradias não dispõem de água nem esgotamento. Algumas já foram derrubadas, mas os moradores voltam a ocupar a área. Sem controle urbano, não só o manguezal, mas também a restinga pertencente à antiga Casa do Governador, na margem esquerda da estrada, estão ameaçados. O governo vendeu o terreno para investidores portugueses, mas eles não estão tomando conta, argumenta o Secretário de Meio Ambiente de Ipojuca, Erivelto Lacerda. Ele disse que colocou placas proibitivas e acionou a CPRH (agência estadual de meio ambiente). Ninguém assume a responsabilidade sobre a área, nem o Ibama nem a CPRH nem a prefeitura. E o resultado é a destruição, diz Marcos Pereira da Silva, um dos coordenadores do Movimento Save Maracaípe. Foi a ONG que denunciou, no início do ano passado, as ameaças que a obra - de responsabilidade do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), ligado ao Governo do Estado - representava para o mangue. Depois de manifestações públicas e denúncias ao Ministério Público Estadual, o movimento conseguiu reduzir em 15 metros a largura. A alteração está num termo de ajustamento de conduta (TAC), assim como o replantio de mangue numa extensão de 10 metros, para compensar os 10 mil metros quadrados aterrados para a construção da estrada. A via liga as Praias de Porto de Galinhas e Maracaípe. Tem um trecho duplicado, com quatro faixas de rolamento e 2.059 metros, que correspondem a três quartos da estrada. O restante (590 metros) tem apenas duas faixas. Infelizmente o TAC não foi cumprido na íntegra, reclama o ambientalista.

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