Brasil não protege 22% das florestas públicas

BRASÍLIA - O Brasil possui 64 milhões de hectares de florestas sujeitas à grilagem, a maior parte na Amazônia. A área, que equivale a duas vezes e meia o Estado de São Paulo, representa 22% do total de florestas públicas no País. São terras públicas sem uso regulamentado, ou seja, não acomodam assentamentos, terras indígenas nem unidades de conservação. O dado faz parte do Cadastro Nacional de Florestas Públicas 2010, levantamento realizado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão do governo responsável pela gestão de florestas da União e pelas concessões florestais - modalidade em que áreas de florestas públicas são licitadas para manejo de madeira e outros produtos florestais. O Brasil possui 290 milhões de hectares de florestas públicas cadastradas pelo SFB, número 21% maior do que o registrado no último cadastro, divulgado no ano passado. No entanto, não houve criação de novas áreas, e sim melhorias no processo de cadastramento das áreas, explica o diretor geral do SFB, Antônio Carlos Hummel. Estamos conhecendo quais são e onde estão nossas florestas, diz. Segundo Hummel, as florestas públicas que já foram destinadas a algum uso são maioria e contam 226 milhões de hectares. As terras indígenas somam 111 milhões de hectares, seguidas pelas unidades de conservação, com cerca de 105 milhões de hectares, sendo 60% federais e 40% estaduais. Os assentamentos públicos da reforma agrária ocupam em torno de 10 milhões de hectares. O governo defende que parte dessas áreas seja convertida em novas áreas para concessão florestal, o que evitaria a ocupação desordenada das áreas e a grilagem das terras.Só o Estado do Amazonas possui 43,6 milhões de hectares de florestas nativas não destinadas. Já o Pará tem 9 milhões de hectares de áreas nessa situação. As primeiras concessões para exploração controlada de madeira na Amazônia saíram este ano. Desses 64 milhões de hectares de florestas sem uso regulamentado, pelo menos 10 milhões podem ser transformados em áreas de concessão, afirma Hummel. Precisamos ter metas para atingir a sustentabilidade da produção madeireira na Amazônia por meio das concessões florestais. Essas metas devem ser consolidadas em 2011, prevê Hummel. De acordo com André Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GV-Ces), o manejo sustentável de florestas pode, ao lado de investimentos em energia renovável, permitir ao Brasil cumprir as metas climáticas firmadas em Copenhague em 2009. Por Andrea Vialli Brasília (Agência Estado)

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