Ameaças e oportunidades pressionam empresas por sustentabilidade

SÃO PAULO - As ameaças e as oportunidades são os principais motivos que levam as empresas a adotar novas práticas de sustentabilidade, segundo Ed Wilson, presidente da organização não governamental (ONG) britânica Earthwatch, referência em pesquisas científicas e educação ambiental. Na avaliação de Wilson, esses motivos explicam porque as companhias continuarão a buscar práticas sustentáveis, independentemente do resultado de acordos governamentais, como os que vierem a ser fechados na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16), que começou na segunda-feira (29), em Cancún, no México. As empresas têm a necessidade real de entender como as mudanças climáticas vão interferir nas reservas naturais e nas novas tecnologias que utilizarão em seus negócios. ê aí que estão as ameaças e as oportunidades, afirma Wilson. Ele cita como exemplo a onda de calor que atingiu a Rússia no último verão e destruiu 14 milhões de toneladas de alimentos, causando prejuízos globais na ordem de US$ 300 bilhões. Essa é a ameaça, explica. Por outro lado, as oportunidades também impulsionam as empresas a agir e buscar inovação. O mercado de energia limpa, no qual se encaixam os bicombustíveis, tem o potencial de movimentar mais de US$ 2 trilhões nos próximos anos, segundo Wilson. Neste ano, a ONU preparou um relatório com enfoque no benefício econômico global da diversidade biológica e nos custos da perda da biodiversidade. O relatório A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (Teeb, na sigla em inglês) também dá exemplos à comunidade empresarial de mercados verdes que estão em crescimento ao redor do mundo. Um dos destaques do levantamento é o setor de produtos agrícolas certificados, que deve alcançar US$ 210 bilhões até 2020. Clientes e consumidores também são fatores de pressão para as empresas, ao lado de acionistas e investidores, na medida em que escolhem quais produtos comprar ou onde vão investir. Daí a importância de companhias assumirem preocupações socioambientais. A pesquisa e os projetos são uma plataforma para ajudar os clientes, os investidores e a comunidade a entender que a empresa é limpa. ê uma ação de marketing limpo, afirma Wilson. O gerente do HSBC Romio Simões conta que conseguiu conquistar pelo menos quatro grandes clientes corporativos para o banco por meio da divulgação de práticas positivas do grupo. O HSBC investiu US$ 100 milhões, em cinco anos, numa parceria global com quatro ONGs, entre elas a Earthwatch. No Brasil, o projeto leva funcionários para participar de pesquisas científicas numa reserva de Mata Atlântica em Guaraqueçaba, no litoral do Paraná. Os empregados ficam em contato com a floresta por duas semanas, período em que entram na mata, identificam espécies vegetais e ajudam biólogos a colher dados sobre as árvores. Em seguida, voltam para o banco e passam a divulgar o tema da sustentabilidade para colegas e clientes. É uma mudança de cultura, conta Simões. Numa palestra, com cerca de 120 clientes, fu...

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