Mais proteção para o mangue

Publicado em 21.11.2010, no Jornal do Commercio O Recife, entre as capitais, abriga o maior manguezal urbano do País. São 316 hectares, o equivalente a 300 campos de futebol, entre os bairros do Pina e Boa Viagem, na Zona Sul, uma das mais valorizadas da cidade. A beleza paisagística e a biodiversidade estão entre os atributos que levaram a prefeitura a propor a criação de um parque na área. Agora, pesquisadores identificaram mais uma razão para proteger o lugar: o equilíbrio biogeoquímico. Apesar de receber grande carga de poluentes, o ecossistema é capaz de aprisioná-los na lama, impedindo a contaminação dos animais e plantas, explica a oceanóloga Hélida Philippini. O levantamento foi feito entre 2006 e 2008, mas só agora Hélida computou os dados para a sua tese de doutorado em oceanografia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob a orientação dos professores Sílvio Macêdo e Fátima Brayner. Ela analisou o nível de metais pesados, substâncias tóxicas que podem provocar câncer, degeneração do sistema nervoso central e hipertensão, no sedimento, nas raízes de mangue e em dois moluscos. Encontrou concentrações acima do permitido de zinco, manganês e cromo nas amostras de lama, mas não nas de sururu, de marisco e de plantas. Moluscos, lembra a química, são animais usados como bioindicadores do grau de contaminação por metais pesados. Ao filtrar a água para capturar microrganismos de que se alimentam, acabam retendo no organismo essas substâncias. Metais pesados são biocumulativos, ou seja, os animais não conseguem excretá-los quando em grandes quantidades. Por isso moluscos indicam contaminação por elementos como cromo e zinco, esclarece Hélida, coordenadora técnica da Unidade de Físico-Química e Biologia do Instituto Tecnológico de Pernambuco (UFQB-Itep). A pesquisadora, no entanto, alerta para os risco do equilíbrio biogeoquímico ser quebrado por obras como dragagem. Revolver a lama do fundo pode tornar os metais pesados disponíveis, ou seja, pode fazer com que eles alcancem a água e a biota. Segundo a química, os metais pesados são provenientes das retíficas, empresas de galvanização e oficinas do entorno do manguezal. Outras fontes de poluição, relaciona Hélida, são hospitais, restaurantes, um miniestaleiro, postos de gasolina, gráficas e o esgoto doméstico jogado na área, para onde correm dois canais, o de Setúbal e o do Jordão. Para Hélida, o manguezal do Pina e Boa Viagem é o maior e o mais importante ecossistema aquático do Recife, servindo como controlador do sistema natural de drenagem da cidade. Caracteriza-se também pela grande quantidade de peixes, crustáceos e moluscos, destaca. Apesar dos despejos de esgotos e resíduos sólidos em alguns pontos do parque, na opinião da pesquisadora, a área apresenta os manguezais preservados. Mas muitas ocupações irregulares continuam ocorrendo, contribuindo para o aumento da poluição e contaminação, adverte.

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