Pescador cobra verba por dano ambiental em Suape

Publicado em 11.11.2010, no Jornal do Commercio Representantes de colônias, associações e movimentos de pescadores do litoral pernambucano reivindicam indenização pelos prejuízos que os empreendimentos do complexo industrial e portuário de Suape estão causando à atividade artesanal. Os trabalhadores se reuniram, ontem, na colônia Z-1, em Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife. No fim de setembro, os pescadores deram entrada no Ministério Público Federal com pedido de ação civil pública contra a dragagem no complexo, no Litoral Sul do Grande Recife. A obra, realizada em janeiro, lançou sedimentos no largo da Praia de Suape, danificando armadilhas, redes e matou peixes, moluscos e crustáceos. Como muitos são analfabetos, os pescadores do Litoral Sul alegam não ter outro ofício. De acordo com o presidente da colônia Z-1, Augusto de Lima, o setor pesqueiro vai se fortalecer para lutar de maneira organizada pelos seus direitos. Como é impossível reverter o dano causado, queremos ser compensados financeiramente pelos prejuízos que estamos tendo. Queremos uma indenização de dois a três salários mínimos para cada um de nós. A colônia Z-1 agrega os pescadores do Recife e do bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana, e tem cerca de 2 mil associados. Os pescadores também temem os impactos causados pelo desmatamento de 691 hectares de vegetação nativa, autorizado pelo governo do Estado, mediante projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa. São 508 hectares de mangue, 17 de mata atlântica e 166 de restinga. Para o presidente da colônia, o desmatamento causará prejuízos irreversíveis. O governo do Estado não vai achar lugar para plantar 508 hectares de mangue. O que se perder com esse aterro não se recuperará nunca mais. O descarte de água quente no mar pela termelétrica do complexo industrial e portuário é outro ponto de reclamação por parte dos pescadores. A morte de peixes provocada pela ação está sendo investigada pelo Ministério Público Federal, que abriu procedimento administrativo no dia 5 de julho. Para a coordenadora de comunicação da Associação Pernambucana de Defesa da Natureza, Suzy Rocha, os pescadores deveriam reivindicar com mais força a preservação das áreas restantes. O foco real é a conservação dos espaços que ainda não foram muito prejudicados. O JC procurou o Ministério Público Federal, mas não obteve resposta. Ontem à noite, tentou localizar responsáveis pela diretoria de Engenharia e Meio Ambiente do complexo de Suape e também não conseguiu contato por celular.

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