Turismo ameaça cavalo-marinho

Publicado em 7.11.2010, no Jornal do Commercio Em dez anos, a população de cavalos-marinhos no estuário do Rio Maracaípe, Litoral Sul de Pernambuco, onde o peixe é atração de passeio turístico, sofreu redução de aproximadamente 70%. Atualmente, existe um terço do que havia em 2001, afirma a bióloga Rosana Silveira, coordenadora do Projeto Hippocampus, que se dedica à pesquisa e conservação da espécie, na lista da IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza) de animais ameaçados de extinção. A pesquisadora aponta o estresse provocado no animal pela atividade turística, a contaminação ambiental e o assoreamento do rio como as causas do declínio populacional do cavalo-marinho. Durante o passeio, os jangadeiros capturam os peixes para os turistas fotografar e depois os devolvem à água. Também há indícios da ocorrência de translocação, que é pegar os animais num local que tem mais para por num onde tem menos ou nenhum. Os cavalos-marinhos possuem fidelidade local, ou seja, gostam de estar no mesmo ponto repetidas vezes, o que os tornam alvos fáceis de capturas. Daí porque os jangadeiros sempre sabem onde estão os peixes e se beneficiam disso (ou pensam que se beneficiam), fazendo as translocações, esclarece a bióloga. A contaminação ambiental, na avaliação da pesquisadora, é provocada pela falta de saneamento básico. O estuário sofre com excesso de coliformes fecais. O lançamento de efluentes domésticos ocorre no mangue e no pontal. Os níveis são muito acima dos permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), perdendo sua condição de balneabilidade. Já o assoreamento, que é o acúmulo de sedimentos no leito do rio, é um problema mais recente. As obras do governo do Estado, de duplicação e pavimentação da estrada que vai até Maracaípe, têm contribuído não só com o assoreamento, mas também com o aumento da turbidez nas águas do rio, atesta. A redução populacional, na opinião da pesquisadora, se intensificou a partir de 2006, quando a quantidade de jangadas usadas nos passeios turísticos direcionados ao cavalo-marinho subiu de 25 para 37. Rosana alerta para os riscos que a atividade turística representa para a sobrevivência dos peixes no Rio Maracaípe. Uma população muito pequena pode se extinguir por falta de variabilidade genética, justifica. Além de avaliar o declínio populacional, a pesquisadora tem observado a saúde dos peixes. Verificamos a presença de machucados no corpo dos cavalos-marinhos, a descoloração e até mesmo a perda de anéis caudais. As duas primeiras situações não são raras e frequentemente são decorrentes do excesso de manejo inadequado dos animais, atesta. O trabalho é feito pela equipe do Laboratório de Aquicultura Marinha, vinculado ao Projeto Hippocampus, financiado pela Petrobras. No local, aberto à visitação, os pesquisadores estudam a biologia e a reprodução da espécie, chamada pelos cientistas de Hippocampus reidi. O próximo passo do trabalho será quantificar os ...

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