País pobre perde 60% da fauna em 40 anos

Publicado em 14.10.2010, no Jornal do Commercio. SÃO PAULO - O Relatório Planeta Vivo 2010, divulgado ontem, mostra que os países tropicais, que também são os mais pobres, perderam 60% de flora e fauna nos últimos 40 anos. Em contrapartida, as nações localizadas em zonas temperadas tiveram um aumento de 29%. O relatório, publicado a cada dois anos pela organização não governamental WWF, aponta ainda que se mantém em alta a tendência de consumo superior ao da reposição de recursos renováveis no ambiente, já registrada na década de 80. Essa tendência é mais forte em economias de nações ricas ou mais desenvolvidas, seguidas pelos integrantes do Bric, do qual o Brasil faz parte ao lado de Rússia, Índia e China. Nesse ritmo, tomando-se como base de cálculo o ano de 2007, o mundo levaria um ano e meio para gerar os recursos consumidos e para absorver as emissões de dióxido de carbono (CO²). A biocapacidade - relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade - também pertencem aos membros dos Brics, sendo o Brasil um dos detentores do título, além de China, Estados Unidos, Rússia, Índia, Canadá, Austrália, Indonésia, Argentina e França. No quesito água, 71 países possuem algum tipo de preocupação com o suprimento e as formas de assegurar, ao mesmo tempo, a saúde de rios, lagos e aquíferos. Desse número, dois terços devem passar à classificação do nível de preocupação entre moderado e severo - em 1995, 1,8 milhão de pessoas tinham problemas para obter água em áreas consideradas de preocupação severa. Além do despejo de 2,8 milhões de toneladas de esgoto que retornam à natureza, a captação da água tem provocado uma seca no volume dos rios, como é o caso do Amarelo, que corta toda a China, e do Grande, que fica na fronteira entre os EUA e o México. CONFERÊNCIA O Brasil chegará à Conferência da Biodiversidade de Nagoya, que começa dia 18, exigindo pelo menos US$ 1 bilhão por ano dos países ricos para a proteção da fauna e da flora até 2020. Também demandará a aprovação de um acordo, há muito protelado, que estabelece pagamento pelo uso da diversidade biológica pelas indústrias de alimentos, fármacos e cosméticos. Sem dinheiro na mesa e sem protocolo, o país deve travar as negociações da 10 Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. Isso significa não apoiar os dois pontos que os anfitriões estabeleceram como objetivos da conferência: redefinição de metas para proteção dos ecossistemas até 2020 e criação de painel científico para avaliar o conhecimento sobre biodiversidade.

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