Alerta para o desmatamento e o aumento das emissões de CO2 em Pernambuco

Heitor Scalambrini Costa * Em recente reunião (24/09/2010) sobre biodiversidade durante a cúpula das Nações Unidas sobre as Metas do Milênio em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou que a degradação da biodiversidade acelera-se no mundo, em razão das atividades humanas. Não há duvidas que sem a proteção dos nossos ecossistemas e da biodiversidade não seremos capazes de mitigar a mudança climática nem de nos adaptar a seu impacto, nem de prevenir a desertificação e degradação dos solos. Podemos afirmar que, aliado a experiência e tecnologia aos nossos recursos naturais, o Brasil tem as melhores condições de dar respostas aos desafios ambientais do século 21. Lamentavelmente estamos na contramão destas possibilidades, pois o modelo de desenvolvimento em curso associado à política energética, decidida sem discussão com a sociedade pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento do Presidente da República que formula as políticas e diretrizes de energia, têm optado por soluções insustentáveis. Diferentemente da propaganda oficial que difunde que o Brasil está fazendo sua parte na proteção ambiental e na redução de emissão de gases de efeito estufa; o planejamento energético a médio e longo prazo e o modelo de desenvolvimento/recursos financeiros previstos no Programa de Aceleração do Crescimento aponta no sentido do fortalecimento da indústria de petróleo e gás (fonte de emissão de gases de efeito estufa) com a construção de termoelétricas a combustíveis fósseis (óleo combustível, diesel e gás natural), a construção de novas usinas nucleares e de mega-hidrelétricas na região Amazônica. Ou seja, as opções desenvolvimentistas e a geração de energia para sustentar estas ações, estão no sentido oposto de um país sustentável. Contrário a este modelo predatório de desenvolvimento em curso, propomos uma reflexão sobre o desenvolvimento, em suas múltiplas manifestações, que simplesmente não é uma questão de ter, mas sim de ser mais. Na história se verifica que pensadores e filósofos de todos os tempos e de todos as matizes ideológicas profetizaram a esse respeito. Mahatma Gandhi, um dos idealizadores e fundadores do moderno estado indiano, argumentava que o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condição dos mais simples e modestos. Adam Smith, economista escocês, um dos teóricos mais influentes da economia moderna, responsável pela teoria do liberalismo econômico, preocupado em estudar a riqueza das nações, afirmou que a verdadeira riqueza deve ser avaliada pelo padrão de vida das famílias. O padre Louis Joseph Lebret, economista e religioso católico dominicano criador do centro de pesquisa e ação econômica Economia e Humanismo, defendia que o desenvolvimento não deve ser visto apenas pelo lado econômico, mas também pelo social, ético, político, moral. Portanto é pela inclusão das pessoas e da melhoria de vida de cada um, tornando-as participativas, que deve ser o foco das preocupaç...

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