Mais 4 barragens são necessárias

Publicado no Jornal do Commercio, dia 11.07.2010. Texto: Ciara Carvalho e Verônica Falcão. Ao longo dos seus 255 quilômetros, o Una tem uma única barragem com fins de reservar água monitorada pelo governo do Estado: Gurjão, em Capoeiras, logo depois da nascente do rio, com capacidade de acumulação de 3,8 milhões de metros cúbicos de água. No momento, o reservatório está cheio e vertendo. Estudos hidrológicos feitos nos últimos 13 anos (1997, 2000, 2004 e 2007) indicam a necessidade de construção de mais quatro. As obras, segundo cálculo da Secretaria de Recursos Hídricos de Pernambuco, estão orçadas em R$ 580 milhões e devem ser iniciadas imediatamente. Embora tenha detalhamentos técnicos de cada barragem, a exemplo da localização e capacidade, o governo ainda não dispõe de projeto e cronograma. São barragens de uso múltiplo, como abastecimento d água e pesca artesanal, detalha o secretário-executivo de Recursos Hídricos, José Almir Cirilo. Cirilo destaca que a obras de engenharia não são mais recomendadas como antes para barrar as cheias. Há países como a Espanha, onde elas estão sendo destruídas. No lugar, o poder público está recompondo a feição natural do rio, com a garantia de que sua várzea de inundação não seja mais ocupada, esclarece. Mas aqui, as barragens ainda são, podemos dizer, um mal necessário. O governo monitora os reservatórios com capacidade para acumular mais de 10 milhões de metros. Os menores, denominados açudes, têm o volume acompanhado pelas prefeituras ou proprietários rurais. Barragem, explica o professor da Universidade Federal de Pernambuco Jaime Cabral, é uma obra perpendicular ao rio, que tem a função de reter a água à montante. Na hidrologia, montante é o que se encontra acima de um ponto, na direção da nascente. E jusante o que está abaixo, na direção da foz. Já os diques são obras de engenharia paralelas ao rio. A função deles é impedir que a água alcance o que está nas margens. Os diques no Rio Guaíba, em Porto Alegre, foram construídos para proteger a cidade, exemplifica. Na cheia de 1970, o rio encheu mas a água não alcançou a cidade, relata. Na opinião do pesquisador, que coordena a pós-graduação em engenharia civil e chefia do Laboratório de Hidráulica da UFPE, diques são soluções de engenharia eficientes, mas caras.

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