Obras torrenciais e chuvas planejadas

Leslie Tavares * Riviera Francesa, Angra dos Reis, Ilha da Madeira, Blumenau, Veneza, Baviera e Pernambuco; não, não estou falando sobre destinos turísticos, mas sim sobre os inúmeros lugares onde, nos últimos anos, ocorreram chuvas devastadoras que produziram dezenas ou centenas de mortes, além de milhares de desabrigados. Basta um rápido giro pela internet para recordarmos que as chuvas e as inundações bateram recordes históricos em praticamente todos os países, nesta década. Pontes inglesas seculares sucumbiram à força das águas. Pedras de gelo do tamanho de jambos despencaram sobre telhados italianos. Plantações de arroz do sudeste asiático foram varridas, levando países populosos à fome. As chuvas não fazem distinção entre países ricos e pobres. A diferença é a forma com que enfrentam a situação. Não é preciso explicar que cidades planejadas e uma defesa civil equipada e preparada diminuem as perdas de vida e os danos materiais, mas a grande diferença é a consciência do problema. Ele se chama aquecimento global. Para muitos um mito. Tudo bem, tem gente que acredita que o homem não foi à Lua. Mas o fato é que os países desenvolvidos hoje montam apressadamente uma estratégia para viver em um mundo em transformação. O Reino Unido já começa um plano para reestruturação das cidades visando ao enfrentamento de extremos climáticos. Não é à toa, o prejuízo estimado para aquele país gira em torno de 720 bilhões de reais. A mídia européia não faz cerimônia em apontar o aquecimento global como responsável pelos eventos. O Brasil tem propostas internacionais até ousadas quanto a metas de redução de carbono, além de possuir um plano de enfrentamento das mudanças climáticas e ter papel ativo no processo de negociação para proteção do planeta. Porém, as propostas do Poder Executivo Federal parecem repercutir apenas fora de nossas fronteiras. O que temos de concreto no nosso país? O Instituto de Pesquisas Espaciais timidamente anunciou que o toró está de acordo com o modelo de um planeta em aquecimento. A mídia nacional, sempre factual, aponta como culpados os seres mitológicos da climatologia, como a famigerada Zona de Convergência Intertropical, ou o terrível El Niño, mas só menciona o aquecimento global nas tevês por assinatura. E os governos? O de Santa Catarina, logo após as trágicas mortes daqueles que ocupavam áreas de preservação permanente como encostas de morro e margens de rio, no vale do Itajaí, flexibilizou o Código Florestal para aquele estado, reduzindo a proteção destas áreas. Felizmente o atentado a vida foi revertido por uma ação de inconstitucionalidade. E o nosso governo? Continua a expansão urbana e industrial sobre manguezais, que são justamente as áreas de transição entre a terra e o mar. A já escassa vegetação das margens dos rios, que evitaria a erosão, o assoreamento e a subida abrupta das águas, continua desaparecendo. Os sem teto, continuam a ocupar as áreas de risco, atraídos pela concentração de riqueza em poucos municíp...

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escrito por Antonio Chagas, junho 22, 2010
Muito importante o alerta do artigo.Acrescentaria á preocupação, o problema da impermeabilização dos centros urbanos, sem área livre nos entornos dos edificios, e a consequente inundação das ruas, parando totalmente o tráfego.Será que ninguem enxerga isto? A substituição de residencias por edificios sem planejamento urbano efetivo,sem plantas e áreas livres está transformando as cidades um caos de insustentabilidade . Até quando?
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